A Educação não é a redenção do mundo, mas leva em si a potência para reinventá-lo.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

O sol ficou de banda, óleo vazou na baía, a chuva intensa
sempre traz desabono a Salvador. A superlotação dos hospitais
faz com que nossas grávidas tenham que parir em casa.

Descaso do poder público ou tá na hora das mulheres junto à sociedade repensarem a reprodução?

confiram os "bagaços" nessa Bahia de môdesu:
http://tvuol.uol.com.br/#view/id=temporal-causa-estragos-neste-fim-de-semana-em-salvador-04023664E4A10346/user=1575mnadmj5c/date=2009-04-20&&list/type=tags/tags=2768/edFilter=all

sábado, 4 de abril de 2009

Vizinho livre


A uma nova amizade de janela,
eu que nem sabia se era bom vizinho,
sequer tinha certeza se o liberto queria amizade.

O certo é que ele passou a visitar a beirada de minha janela,
sem me dizer muita coisa, sem qualquer licença, sem papo.
Eu, sim, puxava conversa, ao que ela se limitava a responder
com monossílabos: Já te vi, bem-te-vi...

Não tinha mais dúvidas, como se sentia a vontade, ficou sem
cerimônias e se instalou na vizinhança com ninho e tudo,
apresentou sua companheira e deu-me a entender, ainda que não fosse
pra sempre, estar de construção e mudança pra beirada de minha janela.

Somos tão diferentes: eu pago IPTU, comunico por interfone e assumo
compromissos condominiais. Ela tem a reserva de mata atlântica pra
passarinhar, não faz a menor idéia do que seja crise, nem liga se o gavião
está no topo da cadeia alimentar.

A dupla não para de trabalhar pra arrumar sua casa de 20/20 cm,
tão simétrica, quanto engenhosa a moradia das aves de peito amarelo,
devem ser patriotas, presumo, pois elas se recusam ao diálogo, resumem-se
a uma boa vizinhança, desconfiadas, mas sem receios aparentes, pois
permanecem na sua rotina sob a minha presença.

Praticamente não percebo liderança de uma delas, são solidárias nos
afazeres, percebo que a de plumagem brilhante é mais atrevida,
fica me observando e dá sinais de que me analisa, rastreia minhas intenções,
instinto de ave, e a qualquer sinal mais brusco, o voo... liberdade plena.

O homem não admira os pássaros, há uma inveja irresolvível, que embora
voemos, não temos asas, nosso maior espaço livre ainda é a imaginação,
e imaginar tem lá suas dificuldades e limites, não é coisa das aves.